Dezembro Vermelho: combate a AIDS e ao preconceito

Dezembro Vermelho: combate a AIDS e ao preconceito

 

Campanha de conscientização sobre o HIV luta contra a epidemia da doença.

Desde 2017, o Brasil se une em uma iniciativa a favor da vida. É o Dezembro Vermelho, campanha de conscientização sobre o Vírus da Imunodeficiência Humana (HIV), que estende as ações do Dia Mundial contra a AIDS (1/12), instituído em 1987 pela Organização das Nações Unidas (ONU).

Além de estimular o respeito, a tolerância e a solidariedade às pessoas que convivem com o HIV, a campanha dissemina para a população as formas de contágio, os métodos de tratamento e maneiras de se prevenir a doença.

A AIDS não é doença exclusiva de homossexuais

Especialmente na década de 80, a transmissão do vírus HIV estava associada à homossexualidade. No entanto, hoje se sabe que a doença é transmitida por qualquer pessoa infectada que tenha relações sexuais sem preservativos, independentemente do gênero.

Assim, é importante compreender que, se você faz sexo sem proteção, mesmo com um companheiro fixo, está exposto aos riscos. É o que explica o infectologista da Interne, João Paulo França. “Ninguém está imune, mesmo se for casado, se tem vários parceiros ou parceiras sexuais, é preciso fazer o exame pelo menos uma vez por ano.”

Aumento dos casos no Brasil

Na contramão do cenário mundial, o Brasil tem apresentado um crescimento exponencial no número dos casos de AIDS. Notadamente na população mais jovem e em mulheres. “O Ministério da Saúde estima que 135 mil pessoas estejam com HIV e não sabem. Tudo isso vem de um problema nosso. O fato da gente não se testar”, esclarece o médico.

O Programa Conjunto das Nações Unidas sobre o HIV/AIDS (UNAIDS), criado pela ONU em 1996, aponta que, de modo geral, houve um aumento de 21% nos registros de novos indivíduos infectados de 2010 a 2018, enquanto o resto do mundo mostrou uma redução de 16%.

Proteja-se contra a AIDS

A transmissão do HIV ocorre principalmente durante o ato sexual – seja por penetração, oral ou anal – sem o uso de preservativo. Além disso, o compartilhamento de seringas, a reutilização de materiais para fazer tatuagens, além de incidentes com instrumentos perfurocortantes também são meios de contágio do vírus.

“A ausência de convênio médico não é desculpa para não fazer o teste. Ele também está disponível nos postos públicos de saúde ou nos Centros de Testagem e Aconselhamento Diagnóstico (CTA), que são espaços especializados de atendimento”, alerta João Paulo.

Então, não há motivos para não se cuidar. Proteja sua saúde!

Use camisinha.

Utilize apenas seringas descartáveis.

Não faça tatuagens em estúdios que reutilizam materiais

Use luvas ao ter contato com fluídos corporais ou manipular lesões.

Faça o teste de HIV, ao menos, uma vez por ano.

Convivendo com o HIV

Antes de mais nada, é preciso compreender que as pessoas que têm o HIV não estão necessariamente com AIDS. Elas podem ou não desenvolver a doença, que se manifesta quando o vírus se propaga pelo organismo e compromete o sistema imunológico.

Ainda assim, os métodos de tratamento já não são os mesmos do século passado. Ser infectado naquela época era, com raras exceções, uma sentença de morte. As terapias evoluíram bastante e hoje é possível conviver de forma saudável com o vírus.

“O tratamento funciona. Uma pessoa tratada, com carga de vírus não detectada no sangue, não transmite mais o HIV por nenhuma via sexual”. Os efeitos colaterais do tratamento também foram minimizados. “Quase não há mais efeitos colaterais, como enjoo, mal-estar e diarreias”, explica doutor João Paulo. Ele ainda ressalta que a expectativa de vida é igual a dos indivíduos que não têm a doença.

Seja empático!

Boa parte das pessoas que hoje convivem com o HIV sofrem com o preconceito. Esse tipo de comportamento influencia diretamente no controle da doença, pois é uma das razões que inibem as buscas por tratamento ou exames de detecção do vírus.

A discriminação também diminui a autoestima e a inserção social do indivíduo, o que pode gerar ansiedade, depressão e outros transtornos do humor.

É importante frisar que não há risco de se contrair o HIV ao conversar, abraçar, tocar ou estar ao lado de pessoas que possuem o vírus. Por isso, tenha empatia e se coloque no lugar do próximo. Trate o outro como gostaria de ser tratado. Seja solidário, tolerante e compreensivo!

 

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